No trem, homens e mulheres disputam os poucos “clientes” na luta pela sobrevivência

No trem que faz a conexão entre a Rodoviária do Recife, em Jaboatão dos Guararapes, e a estação Joana Cardoso, no centro da capital pernambucana, homens e mulheres caminham entre os vagões oferecendo balas, salgados, água, amendoim e pipoca. São dezenas, disputando no grito os poucos passageiros que se animam a comprar algo durante o trajeto de pouco mais de 20 minutos.

Uma mulher chora, enquanto pede ajuda. “Não me julguem, por favor não me julguem. Estou vendendo a minha pipoca, mas se você não a quiser, me ajude com uma moeda. Tenho três filhos, os três estão comigo aqui vendendo, os dois meninos estão nos outros vagões. Precisamos comer”, falava, aos prantos, desesperada.

Meu primeiro impulso foi chamá-la para contar a sua história. Me contive. Não achei justo fazer isso. Dei a ela R$ 5, ela sequer olhou a nota, o valor, não me olhou, não agradeceu. Estava tão envergonhada que recolheu mais algumas moedas e seguiu, puxando pela mão uma menininha de, no máximo oito anos.

Mal saiu a mulher, um jovem, vinte e poucos anos, pedindo dinheiro. Contava que os fiscais haviam tomado sua água e sua pipoca. “Se eu não tiver água e pipoca pra vender o que vou comer ? Por favor, uma moeda, uma ajuda. Levaram minha água, minha pipoca, tenho R$ 3 no bolso, nada mais, perdi tudo”, clamava o homem.

Com mais sorte, ou mais fortalecidos no bom ânimo, três homens passaram por mim. Chá mate, salgadinho Rufles, Doritos, chicletes, bala é Coca cola. A correria no trem é enorme, parece que está na rua. Gente passando de um lado para outro vendendo tudo o que conseguem .

Essa é a realidade do Recife, a capital do estado com a maior taxa de desemprego do país. Mais de 18% dos pernambucanos estão desempregados. Em números reais, 765 mil pessoas sem emprego.

Até o mês de agosto, Pernambuco estava atrás do Amapá e da Bahia, até então os estados com a maior taxa do país, mas nos últimos três meses, um salto colocou o estado na triste liderança . Mais de 198 mil novos desempregados foram registrados.

Nos terminais de ônibus, nas ruas, é possível perceber o reflexo cruel desta realidade. As pessoas ou pedem esmola ou trabalham como ambulantes. A maioria, visto a olho, preferência vender algo, porém é muita gente vendendo e a decepção, a aflição é perceptível na expressão dos ambulantes.

Polo turísticos brasileiro, roteiro internacional, Recife luta para sobreviver em meio a crise e ao retrocesso econômico e social vivido pelo Brasil.

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