Hoje passei um perrengue na estrada, no retorno de Arcoverde. Os filtros de combustível da Van que estávamos entupiram devido ao diesel de baixa qualidade abastecido na bomba. Um trajeto que não dura mais que duas horas, levou cinco para ser vencido.

Tempo suficiente para conhecer a história do Cássio Moreira, 23 anos, que há quatro meses trabalha como auxiliar na Van em que estava. Ele cobra as passagens, acomoda passageiros, dirige quando preciso. É o braço direito do motorista.

Cassio trabalhava com transporte de água até o início deste ano. Dirigia os caminhões pipa que levam água as regiões de seca extrema. Me emocionei com o que ele me contou. “A gente leva água que o governo federal distribui. Só que quando a água sobra, e sempre sobrava, o governo não queria que desse a ninguém, mandavam devolver no poço”, disse.

O rapaz me contou que não conseguia cumprir a ordem. “Como você vai deixar gente passa do sede? Não dá não. Se olhava aquela gente pedindo um pouco de água, eu já parava o caminhão e dava água a eles”, revelou.

Segundo ele, a água que o governo distribuía nas cisternas de famílias cadastradas não durava muito. “Era uma “carrada” de água pra um mês inteiro. Só que você enchia uma cisterna para atender várias famílias, 40, 50 pessoas precisando daquela água. Não durava três dias já estavam passando sede”, lamentou.

Cassio disse que conviver com essa realidade “machuca por demais o cabra”. Para ele, ter trabalhado nessa empreitada de levar água aos que tem sede ainda sim foi um privilégio. “Rapaz, você parava aquele caminhão com a sobra da água, dava as pessoas. Vinha a pessoa com R$ 5 nas mãos, não aceitava não. Era o que tinha que fazer”, concluiu.

Tempo precioso esse na Van. Que lição !
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